domingo, 20 de janeiro de 2008

IMIGRAÇÃO E TORTURA em PORTUGAL por luis carlos lopes

DEBATE ABERTO

O caso da jovem brasileira presa e torturada em Portugal é um dos fatos mais pavorosos da onda emigratória recente. Ana Virgínia é só uma entre muitos que buscam resolver seus problemas, buscando trabalho fora do Brasil. Não há registro de que tenha cometido qualquer crime e, mesmo que assim fosse, nada justificaria o tratamento que recebeu e vem recebendo.

Ana ainda está presa, já tentou o suicídio e sua situação ainda não foi resolvida. Este caso está fartamente documentado na Internet (*).
É bom lembrar, que o Brasil recebeu os portugueses por décadas. Eles imigraram para cá, ao longo do século XX e da crise social provocada pelo fascismo salazarista e suas guerras coloniais. Jamais um português foi expulso do Brasil por ser português, rico ou pobre. Encontraram por aqui uma nova pátria, sempre bem tratados, respeitados e amados como `patrícios´. A grande maioria veio para cá pobre e, não poucos, melhoraram de vida.
Alguns enriqueceram a custa do trabalho dos brasileiros, outros galgaram posições de classe média. Todos puderam viver por aqui e considerar a ex-colônia Brasil como um eldorado.É verdade que muitos deles sempre imaginaram os brasileiros como indolentes, `pretos´ e imprestáveis. Isto não os impediu de se misturarem, constituindo novas famílias inter-raciais com bastante ou algum sucesso vivencial.
O racismo e o conservadorismo político e social dos portugueses jamais lhes deram dores de cabeça. Os brasileiros, com a imensa tolerância que lhes caracterizam, passaram por cima e deixaram para lá. Por vezes, os xingavam de `galegos´, sabendo que isto era uma ofensa aos brios lusitanos. Reclamavam dos seus modos agressivos, principalmente com as mulheres, e de seus hábitos de asseio pessoal incompatíveis com os trópicos. Quase sempre, tudo isto não passava de galhofa. Raramente, superava o nível da agressão verbal, quase sempre em resposta e defesa.
Os brasileiros jamais boicotaram o comércio e outros negócios dos portugueses. Aceitaram candidamente que eles dominassem por muito tempo, em algumas cidades do país, principalmente nos setores alimentícios e imobiliários. Seus descendentes estão por aí. Continuam sendo comerciantes, rentistas, dentre outras atividades do velho capitalismo. Não foram molestados por décadas. Continuam vivendo por aqui, com seus descendentes, sem nenhum problema. Hoje, não mais atravessam o Atlântico para ficar.
Depois da Revolução dos Cravos (1974), Portugal percorreu a senda tortuosa que o transformou em um país `europeu´.
No Brasil, adora-se o progresso português. Muitos de nós vibraram com o 25 de abril. Ai!, como se quis, guiados por Chico Buarque, que o Brasil viesse a ser `um imenso Portugal´. Talvez, o poeta sensível, vendo o caso da Ana, que não é das loucas, reescrevesse o seu `fado tropical´. É uma pena que não se tenha, hoje, grandes mobilizações, que se viva em um momento de apatia e profundo individualismo.
Este caso é um exemplo dos desrespeitos aos direitos humanos que os brasileiros emigrados vêm sofrendo pelo mundo afora.
Cadê o Tribunal de Haia? Onde está a ONU? Quando vão parar estas novas formas de genocídio? Por que não se exige do governo português a imediata libertação, reparação econômica e repatriação de nossa compatriota?
Será que Salazar renasceu do monte de excrementos de sua história?
A PIDE foi refundada?
Quando os culpados serão de fato julgados?

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