quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CLÁUDIO, PABLO e Dr. HENRY - por frederico füllgraf

uma crônica de Natal

Para Jan Pablo

Reeditasse sem comentários esta crônica publicada há quatro anos, e quem se lembraria? No entanto, o Natal está às portas. Mas as portas aqui referidas são metáfora de tempos sombrios, que meu filho Jan não conheceu. Botafoguense de nascimento, conhece Curitiba e a Ilha do Mel como a palma da própria mão. Contudo, por inusitadas e insólitas razões, que as separações de pais soem construir, por breve tempo ainda vive com sua mãe no Palermo Viejo de Buenos Aires. E movido não sei por qual intuição, numa quinta feira à tarde de um dos últimos meses, chama um colega da escola, empunha uma velha câmera VHS, atravessa a cidade e – de chofre – entrevista algumas Madres da Plaza de Mayo. Pai, pede-me por e-mail, me ajuda com alguns contatos! Em janeiro de 2008 meu filho completará dezesseis anos – o resto era silêncio, mas o leitor associará.

Pasmado, leio no jornal a confissão de Dr. Henry: sempre desmentida, em 2003 a conspiração é admitida. Fria, burocrática, desata em mim a irrefreável viagem à ré no tempo. Faz trinta anos. Agora alguns rostos são apenas feições embaciadas. O de Cláudio, por exemplo, estudante de engenharia e companheiro da associação de estudantes latino-americanos. Naquele momento o argentino Cláudio é como eu, Ruiz, Alícia, João e Marina: estamos confortavelmente instalados na Alemanha dos anos 70 e por isso nos sentimos “culpados”, em dívida com “o chamamento”. Por isso Cláudio se despede à francesa. Meses mais tarde saberemos que trabalha numa fábrica, a 12 mil quilômetros de distância, no labirinto entre La Boca e Avellaneda. É o início de 1976 e depois disso Cláudio Zieschank some do mapa.
Retomo o jornal, mergulho na trama paralela: 7 de outubro de 1976, outono em Nova York. Imagino o cenário. Uma suave brisa toca álamos, carvalhos e castanheiras, despindo-os de sua última folhagem. Enquanto fala com seu interlocutor sul-americano, Dr. Henry levanta-se da poltrona e acompanha pela janela da suíte, a elipse de uma folha em queda-livre, que vai juntar-se ao cintilante e fofo tapete ocre-bordô em formação no Central Park; ali aos pés do Waldorf-Astoria. Absorto, com as mãos cruzadas às costas, por um momento deixa-se cativar pela lerdeza dos elementos. Intui que o ciclo se completa. Reincorporado, volta-se abruptamente para seu interlocutor, disparando seco: “Quanto mais rapidamente vocês agirem, tanto melhor!”. O almirante César Augusto Guzzetti retorna à embaixada argentina em Washington e de lá transmite a senha para seus pares: “Se conseguirmos acabar com eles antes que o Congresso americano volte a reunir-se, em dezembro, eles nos darão as armas e o crédito!”.
Duas semanas mais tarde, madrugada do dia 23 de outubro de 1976 em Buenos Aires, derrubam a porta da casa da família Meijide. Na frente dos pais aflitos agarram Pablo, um garoto com apenas dezesseis anos de idade. É Graciela Meijide, a mãe, que me narra o episódio – faz sete anos, mas sua emoção é de ontem. No vinco das rugas em seu bonito rosto, percebo a falsa velhice de oitenta e cinco meses de vigília. Enrique Fernández Meijide, o pai, mergulha em duas mil e quinhentas noites de insônia, para dar forma ao choque, ao terror, à náusea, à cólera represados. Troca a arquitetura pela poesia, para dar um sentido à própria impotência: “Te fuiste por el lado de las sombras / Sin mirar hacia atrás. Juntando el miedo, / que te sobraba, / con todo el nuestro. // Intentando dejarlo a nuestro cargo / porque debías parecer sereno. / Cinco gorilas / y vos en medio...”. E eles virão sempre de madrugada: primeiro, os paramilitares de uma certa Triple A, depois, tropas regulares; se é que neste ofício de carniceiros se pode falar em “regularidade”... Em deferência à tradição cristã, no final do ano batizam o operativo de “Missão Natal Feliz”.

Outubro de 1983. Caminho em ziguezague entre as valas reabertas do cemitério de La Chacarita. Somos trinta pessoas que seguem um coveiro errante, guiado por uma bússola falha: segura nas mãos o mapa oficial das covas com nome, sobrenome, data de nascimento e morte dos finados. Neste mapa, não há, contudo, registro de “NNs”, os non nominati varridos da geografia, expropriados de identidade, engolfados pelo anonimato silente. Cláudio, Pablo e os demais vinte e nove mil, novecentos e noventa e oito desaparecidos não existiram - diz a “história oficial”. Por isso, na Praça de Maio as Madres e Abuelas caminham em círculos, repetem há anos o rosário da dor, insistem em devolvê-los à vida. O Poder se cala e então os fantasmas tagarelam através das frestas desta história adulterada e pervertida, como o personagem do paisano em “La Ciudad Ausente”, de Ricardo Piglia:

(...) Eu vi coisas tais, que preferiria começar outra vida, sem recordações, se já estive a ponto de deixar minha mulher e os filhos, tomar um trem, ir-me a Lomas (...)Fuzilavam-nos a dois metros de distância e atiravam os corpos em poços, depois andavam com topadoras, abrindo valas, e às vezes aos mesmos desgraçados obrigavam a cavar a tumba para matá-los em seguida. Via-os como num sonho, nus, os cristãos cavando a própria sepultura (...).

Último ato. Há uma estância em Bariloche, aos pés da Cordilheira. Dr. Henry adquiriu-a em troca de sua vilania. Pressionou a Argentina para livrar-se de suas paisagens, após assinar a ata do extermínio de seus filhos. Sugeriu que entregassem a Patagônia para pagar uma dívida mil vezes quitada. Obsceno, aqui instalou seu pouso de guerreiro. Dr. Henry: fugitivo do Holocausto e mago da Solução Final no Prata. Dr Jekill & Mr Hide. Sabotou uma conferência de paz em Paris e meio milhão de vietnamitas morreram em vão; junto com eles, vinte mil norte-americanos. Para garantir o poder a Nixon. Determinou a invasão do Timor Leste e a soldadesca de Suharto perpetrou uma carnificina. E nenhum mea-culpa. Consentiu o assassinato do general Schneider no Chile e preparou o golpe contra Salvador Allende. Disse: “Não vejo por que agüentar um país que se torna comunista devido à irresponsabilidade de seu próprio povo". Dr. Henry não sente remorsos. Prêmio Nobel da Paz & Criminoso de Guerra. Para o mercado, as bênçãos, para os adversários: o extermínio. O médico e o monstro. Para o Village Voice não passa de “Milosevic do Big Apple”: durante os bombardeios dos EUA morreram 350 mil civis no Laos. No Camboja foram 600 mil; sem contar os mutilados e para sempre aleijados. O indignado Christopher Hitchens dedicou-lhe The Trial of H.K., mas o Império não permitirá que arrastem Dr.Henry (aliás: Heinz Alfred Kissinger) à Corte Internacional.

Se apesar da neve, todavia o chão esquentar demais em Nova York, a Besta encurralar-se-á em seu último refúgio - Natal em Bariloche, mas no céu nenhuma estrela.

Em tempo: Natal também na Sierra de Chibiriquete, nas profundezas da Amazônia, onde Ingrid Betancourt aguarda sua libertação. Seu céu é o teto de uma barraca, infestada de mosquitos. Como Jan Pablo, ela não acredita mais em Papai Noel, mas el loco Chávez já vestiu seu camisão vermelho. E não venham me dizer, que a estrela na boina das FARC - luzeiro morto de um narco-universo decadente - é a Estrela de Belém...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

HEURES SOLITAIRES - poema de lucie laval

a Emiliano Perneta


J’ aime, par-dessus tout, les heures solitaires
Ou nous mettons à nu notre coeur douloureux,
Où nous versons des pleurs amers, mais salutares,
Ayant pour seul témoin la majesté des cieux.


Les cris partant de l’ âme, alors, sont bien sincères;
Le secret de chacun gisant au fond des yeux,
En larmes se traduit, nullement mensongères,
Car il faut, pour mentir, tout au moins être deux.


J’ aime l’heure si triste ou l’on pleure, ou l’on souffre,
Où l’on sent s’ouvrir, devant soi, comme un gouffre
Où sont ensevelis l’amour et le bonheur.


L’ heure de solitude, où toutes nos misères
Disent l’ inanité de nos folles chimères,
Est celle où l’on n’est ni dupe trompeur.

Curitiba 16 September 1913




Lucie Laval nasceu em Dakar, Senegal, em 19 de abril de 1895, filha de Maurício Laval e Alix Laval. Nascida na África do Norte, quando seu pai ali estava no desempenho de suas funções de diplomata francês, Lucie voltou à França para receber instrução primária. Deixou o seu país em 1908, aos 13 anos de idade, vindo para o Brasil. Com seus pais, residiu algum tempo em Minas Gerais, para, em 1911, fixar residência em Curitiba, onde viveu três anos incompletos, no entanto repletos de fulgurantes lampejos de sua criação poética. A menina inteligente, só aqui, aos 17 anos, encontrou sua alma de poetisa, e o livro “Dans l’ombre”, com os seus quarenta e nove poemas, foi escrito de um jato, de abril a outubro de 1913, em Curitiba, e publicado postumamente no Rio de Janeiro em 1924. A sua descobridora foi a intelectual Georgina Mongruel que, acompanhada pela moça, compareceu a uma reunião do Centro de Letras do Paraná. Morreu, no dia 21 de janeiro de 1914, em Curitiba, vítima de moléstia cardíaca, aos 19 anos, “pedindo ao médico, já às portas da morte, que a salvasse, porque ela queria viver, queria cantar todas as estações da vida e a sua página única era apenas uma primavera cheia de tempestades.”

EL SOL DE MIS MANOS - poema de clara cuevas/arg

El sol de mis manos.
Sucede que me canso de ser mujer.
Sucede que no quiero más los pájaros,
los cuervos, los soles, los sonetos
El cariño mórbido del dia a dia.

Sucede que mis lunes no sucedem.
Sucede que la sonrisa ya no quiere ser vista.
Solo el corazón pulsa, pero solo para si.
Y así siento que mi vida ya está lista.

Sucede que el camino está nublado,
y lo que veo son versos vacíos.
Y las flores que ya no coloren,
están marchitas de frío.

Esta es la juventud humana que vivo.
Lejos de ser la vida que soñé
Pero está en mis manos el camino
Para seguir el sol que tanto deseé.

Sucedome.

VELEIRO - poema de manoel de andrade

Mar afora, mar adentro
lá vai singrando um veleiro
quem dera ser passageiro
pra correr nas mãos do vento.

Mar adentro, mar afora
como navega ligeiro
cruzando este golfo inteiro
nas cores vivas da aurora..

Onde vais assim tão cedo
rumo à ilha do Arvoredo
levando meu coração...?

Vou navegando contigo
meus olhos te seguem, amigo
perdidos na imensidão.



Baia de Zimbros, janeiro de 2005
do livro CANTARES editado pela Escrituras.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

LA CUCARACHA, LA CUCARACHA! - por carlos alberto pessoa (nêgo pessoa)

Um espectro ronda a "revolução" comunista do século XXI (AC), comandada pelo "bo(li)variano"-cucaracha sargento chávez - é o espectro do ridículo, o espectro do patético, o espectro do cômico involuntário, perverso como o efeito, aquele.

À PEDRADAS.

Somente o gênio do Swift seria capaz de bolar cena como a de dias atrás na Bolívia, quando um grupo de locales rechaçou à pedradas avião militar do sargento chávez.
Quá-quá-quá. Os invasores puseram o rabo entre as pernas e vieram pro Brasil.

OLHA O ÍNDIO

O índio idiota pediu desculpas ao sargento idiota. E atribuiu aos EUA a crescente resistência da oposição boliviana. Quá-quá-quá.

A NÃO VIDA IMITA A NÃO ARTE

Lá pelos anos 60, 70,pintou no falecido Arlequim uma sátira - O rato que ruge.Não lembro mais de quem nem com quem.Lembro que um país de merda,praticamente inexistente,declara guerra ou invade os EUA.Guardadas as proporçõesé o que fazem cucarachas comoo indio, sargento chávez, o boboca do equador e osenil babão, o mais velho criminoso impune da terra, fidel castro.

PRA QUE OPOSIÇÃO?

Sinceramente:v acha que precisamos nos opor seriamente a isso, a essas coisas?Isso cairá de quatro!Pelo ridículo!Ligue as pontas!Índio segue sargentosob as bênções de Lulu, o metalúrgico.

La cucaracha/la cucaracha/
ya no puede caminar/
porque no tiene/
porque no tiene/
las patitas para andar

MUDANÇAS ORTOGRÁFICAS A PARTIR DE 2008

A partir de Janeiro de 2008, Brasil, Portugal e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - terão a ortografia unificada.
O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros. Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado.No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada.
Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.
O que vai mudar na ortografia em 2008:
- As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiros (e os outros) terão que escrever "abençoo", "enjoo" e "voo";
- mudam-se as normas para o uso do hífen no meio das palavras; O hífen vai desaparecer do meio de palavras, com excepção daquelas em que o prefixo termina em `r´, casos de "hiper-", inter-" e "super-". Assim passaremos a ter "extraescolar", "aeroespascial" e "autoestrada".
- Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do substantivo dos verbo "crer", "dar", "ler","ver" e seus decorrentes, ficando correta a grafia "creem", "deem", "leem" e "veem";
- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como "louvámos" em oposição a "louvamos" e "amámos" em oposição a "amamos";
- O trema (brasileiro) desaparece completamente. Estará correto escrever "linguiça", "sequência", "frequência" e "quinquênio" ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio;
- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de "k", "w" e "y";
- O acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição);
- No Brasil, haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia". O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia;
- Em Portugal, desaparecem da língua escrita o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como em "acção", "acto", "adopção" e "baptismo". O certo será ação, ato, adoção e batismo ;
- Também em Portugal elimina-se o "h" inicial de algumas palavras, como em "húmido", que passará a ser grafado como no Brasil: "úmido";
- Portugal mantém o acento agudo no e e no o tônicos que antecedem m ou n, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus;

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

OFERTÓRIO/corpo - poema de jb vidal*

ando a oferecer à quem possa interessar,
este corpo injecto de sensações
das mais puras às mais imundas,
um corpo que sente e dá sentido,
um corpo que ama e odeia,
lamenta, sorri, avança, recua, tem fome e busca outro,

um corpo viril e espartano
vítima de elogios e difamações,
um corpo que treme diante das salivas vaginais
e se entrega à loucura como última saída,
que espermeia bucetas de rainhas e criadas
e se prostra inútil diante do nada,

um corpo que experimenta prazeres e dores,
dos mais sutis às mais diabólicas,
um corpo que sente a agonia dos ossos
anunciando o limite das células cansadas,
um corpo que trabalha e produz falsidades
e termina o dia evacuando ilusões,

um corpo perfumado e fétido
abalado e abatido,
com a boca sangrando de beijos infernais,
um corpo que interrompe o vento e faz a sombra,
que semeia gente e colhe iras
cai, rasteja, levanta e vomita ladainhas,


um corpo pronto para morrer,
pois sentiu de toda podridão,
carrega consigo os vermes que limparão seu esqueleto
branco-sujo pelas carnes amoldadas,
um corpo que, apodrecendo, levanta o braço com dedo em riste
acusa a humanidade de ter falhado



*poema do livro OFERTÓRIO a ser editado em 2008.

SURPRESA do EQUILIBRISTA - poema de sergio bitencourt*

Na profusão dos dias, aventureiro
Na difusão das trajetórias, dinheiro
Nas aparentes escapatórias, prisioneiro.


De súbito no centro da corda, bamba
Na percepção acorda e tomba,
Na queda aborda e bomba!!!


Eclode aos pedaços,
Junta-se, enlaça-se, flui e ligeiro
A ventura chama para tomar altura
No Verdadeiro.

Feliz fluxo, não transborda,
Não há, Não houve, Não Haverá
Corda.

TUDO INTEIRO!!!


*o autor é engenheiro civil e poeta.

APELAÇÃO - poema de altair de oliveira*

Cauteloso, silente e lentamente
faço coisas que sei que Deus duvida
me divido por quatro e sofro um pouco...
fico louco pra tudo se acabarvejo o mundo rodando e penso penso.


E medito no dito por não dito
e me dito meu grito mais imenso
e ensaio o que digo e o que não digo
e desmaio, se corro ou se gargalho
qualquer coisa que afaste do perigo
que mendigue derrota aos inimigos
mas me safe na hora do sufoco.


*poema do livro O Embebedário Diverso editado em 1996.

O SINTOMA é a DOENÇA - por walmor marcellino

Pode parecer alucinação ou mera alienação, mas existem sintomas que são as próprias doenças. Melhor, como na psicanálise, a forma do encobrimento é a razão de ignorar qual a falta; ou, como diria o Conde de Abranhos, a existência é a própria essência, e a manifestação é o fenômeno. Depois dessa enxúndia, vou obrigado a tratar a questão: o Paraná é uma falcatrua intelectual; é uma farsa cultural engendrada pelos políticos. Aqui, os políticos são pobres de espírito; e acusam a população iletrada.Que me perdoem os estudiosos tantos que há, os cientistas e professores dedicados ao saber e a ensinar; os profissionais (e mesmo os amadores da sabedoria) ainda que ocupados e centrados nas especializações que assim marcham com os videotontos e celularizados das notícias ligeiras e informações “de passagem”. Que me desculpem os ex colegas da informação e da crítica nos meios macluhanianos; e os intelectuais que perderam a bússola ante as variações de ímãs (não imãs ou xamãs!). Escusem-me a veleidade tardia de comentar aspectos das relações sociais, no ensejo de uma autocrítica; porém não se apoquentem porque são nímias observações, às vezes contundentes, sobre a incultura do Paraná, ou o tratamento que os poderes jurídico-políticos -- governo, prefeituras e entidades interventoras na prática cidadã e sua criação cultural -- dão ao que chamamos criação, organização e produção de cultura.Executivo estadual e prefeituras escolhem espaços onde assentam um coxo com farelo e água, e ali a alimária se espoja, e a saparia deve cultuá-los até que se dê o coroamento -- uma homenagem: um retrato, um busto, o nome de uma pocilga em reconhecimento ao imbecil que nem tem consciência de que “sua cultura” é uma incultura pedante, e sua atitude de regente político da sociedade um resultado do famulismo e familismo a que foi submetido o Paraná nos últimos 25 anos.Esperava-se que dos novos partidos políticos, como das escolas superiores, viesse o sopro renovador, mas qual! Os vícios se entranharam em todas as instituições, e a intelectualidade tornou-se mais servil e oportunista, dando maus exemplos para os disputantes à cidadania. Quem souber diga, relate que estudo universitário se debruça sobre as realidades institucionais e seus agonistas? Que projeto governamental aponta possibilidades sociais nas ciências e nas artes; que instituição especializada mostra o horizonte e descortina os caminhos para as Índias?

domingo, 9 de dezembro de 2007

FÚRIA

sobre a liberdade

a liberdade é uma coisa tão preciosa que deve ser racionada.

v. i. lenin

DOENÇA NACIONAL por maria lucia victor barbosa*

Se você, caro leitor, não tem o hábito de ler jornais e sua informação deriva apenas do que é veiculado pelas redes de televisão, irá crer com fé inquebrantável que Deus é brasileiro porque nosso país é o próprio paraíso na terra depois que Lula da Silva ascendeu ao poder. A Saúde, disse o presidente, está perto da perfeição. O desemprego caiu. Os pobres comem três refeições por dia porque o programa Fome Zero deu certo. O mundo se curva para o Brasil, mesmo porque, ganhamos o jogo contra o Uruguai. Portanto, essa coisa de caos aéreo, caos da Saúde, caos do gás, impostos escorchantes, entre eles a famigerada CPMF apresentada como salvação nacional, falta de infra-estrutura, fracasso de políticas públicas, violência urbana chegando a níveis insuportáveis, violência praticada pelos chamados movimentos sociais ligados a Via Campesina, como o MST e congêneres, não existem. São intriga da oposição, mentiras dos que não aceitam que o Brasil deu certo. Tão pouco existe corrupção no governo, apesar da queda constante de ministros ou de casos escabrosos onde petistas, diante de montanhas de provas e evidências se declaram inocentes, enquanto seu líder afirma que nada vê, de nada sabe. Afinal, ele é apenas um pobre presidente da República.

Assim, idiotizados pela propaganda, enlevados pelo mito do “pobre operário” cuidadosamente construído pelo PT, aceitamos com naturalidade a total inversão de valores que aos poucos vai erodindo o que resta de nossa civilidade. Temerosos de infringir o politicamente correto damos por certo que elite é um termo pejorativo ao invés de significar produto de qualidade. Nos curvamos ao veneno destilado pelos seguidores dos novos donos do poder que, usando a velha tática de dividir para dominar, a qual por sua vez é indutora de simplismos maniqueístas, divide a sociedade entre maus (aqueles que não são do PT) e bons (os que são petistas); elites (ricos maus e exploradores, em que pesem as doações dos grandes empresários para as campanhas milionárias do mitológico pobre operário e do fato deste e de seus mandarins da cúpula petista terem chegado ao paraíso da burguesia) e pobres (classe majoritária que foi resgatada das garras do capitalismo selvagem por LILS, o iluminado salvador da pátria); brancos (transgressores dos direitos humanos e opressores dos negros) e negros (cujo direito de odiar brancos e agredi-los é algo natural, como disse uma ministra do bondoso pai Lula). E temos apenas dois partidos: PT e PSDB (quem não pertence ao Partido dos Trabalhadores fatalmente é tucano, ainda que não faça parte de nenhum partido).

Acentua-se no Brasil, portanto, o etnocentrismo, ou seja, o julgamento que tudo o que é de alguns é bom e de outros é mau. É o radicalismo do “meu” e do “seu”. Não temos meios termos. Não existem morenos, mulatos, cafusos. Ou se é negro ou se é branco. Ninguém se salva fora do PT e todos que pertencem ao PT são cidadãos acima de qualquer suspeita, façam o que fizerem.

A chamada base governista, ou adesistas de ocasião, capazes de se vender a qualquer preço, mesmo por um “chinelinho novo”, não possuem tanta imunidade. São usados e depois jogados fora. Que o diga o PMDB, partido cujos integrantes, segundo uma amiga internauta, trazem na testa um código de barra, é só passar em qualquer maquininha que sai o preço. Aliás, os mais experientes políticos de diversos partidos nunca aprendem que o PT possui leis próprias, entre elas, esmagar os que não pertencem à casta dos companheiros, triturar os que ajudam o partido e ao seu líder máximo.

Caminhamos rumo ao atraso e a decadência, sob o comando do espaçoso Hugo Chávez, mas vamos felizes entre uma partida de futebol e outra. Afinal, não vamos sediar a Copa do Mundo? Querer mais o quê?

E enquanto o povo se alegra assistindo futebol, gesta-se nos bastidores do poder o terceiro mandato do amado avatar, Lula da Silva. Quem poderá impedi-lo? E que outro mito o PT possui para se perpetuar no poder? Como o próprio presidente afirma que seu comandante Hugo Chávez é um democrata, basta seguir seus passos, como, aliás, vem acontecendo de forma mais branda, conforme a marca registrada brasileira da dubiedade. Calmamente, cuidadosamente o PT fabrica sua ditadura sob aplausos gerais e toques de tambores de guerra de seus estridentes e fanáticos militantes e simpatizantes. Alertas parecem soar inutilmente enquanto triunfa a ignorância, a truculência, a incompetência, a corrupção. A decadência da nossa sociedade já é uma doença que parece incurável, pois progrediu muito. Perdemos nossa elite no sentido dos melhores, dos mais virtuosos e isso faz lembra o portentoso pensamento de José Ortega y Gasset em Espana Invertebrada: “quando a massa nacional chega a determinado ponto, são inúteis os argumentos racionais. Sua enfermidade consiste, então, no fato de que a maioria não se deixará influenciar, fechará freneticamente os ouvidos e pisoteará com mais força naqueles que queiram contrariá-la”. A partir daí se segue o triste espetáculo dos piores suplantando os melhores”.

*Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CIBERCULTURA e INCLUSÃO DIGITAL por hugo laboran


“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminuiu-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; Eles dobram por ti...” Jonh Donne


O corpo cibernético o que distingue o espécime humano dos demais animais é a sua capacidade de criar cultura. A partir da comunicação, das formas mais distintas de linguagem, nossa espécie pode viver em sociedade e interagir, sempre de acordo com os padrões culturais estabelecidos em cada agrupamento social.Não se pode datar ou compreender exatamente como e onde esse processo teve início, pois essas culturas se perderam na história, restando poucos resquícios que apenas nos permite exercitar a imaginação e confabular teorias. Com o avanço da organização social, o que se entendia por pequenos grupos foram crescendo, e produzindo mais valores e costumes, transmitidos por gerações. Esse acúmulo de conhecimentos e sua organização deu início ao que se entende por corpo social. O corpo social é como uma grande colméia, com indivíduos e produções culturais compondo sua estrutura.Cada corpo social é regido por um sistema de valores tradicionais e mutáveis, sobre o qual o indivíduo isolado recebe mais pressão e influência do que é capaz de exercer. O corpo social é uma cadeia flexível e adaptável, sujeito à assimilação e absorção de conhecimento cultural, porém ligado as suas necessidades urgentes e eminentes de manutenção da espécie.O ser humano, a partir do surgimento da rede mundial de computadores, ou simplesmente internet, reproduz o conceito de corpo social em uma estrutura muito mais complexa e intangível, sujeita a desavenças e especulações inconclusas, por vezes incompreensíveis, onde o único solo fértil que encontra na atualidade é o da conjectura e ficção. Surge o conceito do espaço cibernético, ou ciberespaço, que consiste no conjunto de informações e caminhos virtuais que circulam pelas redes, sob a forma binária (1 e 0), e transmitidos por ondas de fótons através de condutores e semicondutores eletromagnéticos. Esses elementos compõe o soma cibernético, ou simplesmente, cibersoma, que é o canal onde tais informações viajam, trata-se de um canal virtual, pois ele não possui forma física e tampouco pode ser situado no espaço, existindo somente enquanto informação numérica.Para que haja funcionalidade no cibersoma, é necessário que exista o elemento humano, capaz de interagir e comunicar-se por intermédio deste. Quando o ser humano atua sobre o cibersoma, têm-se o conceito de cibercultura, que é tudo aquilo produzido a partir do espaço cibernético, e para o espaço cibernético. O princípio básico para a cultura de redes é a conexão, a ligação entre eminentes humanos por meio das redes virtuais e sua interação a partir desse espaço.A explosão tecnológica no final do século XX ultrapassou as expectativas de muitas pessoas, mesmo tendo sido prevista pela Lei de Moore, proposta em 1964, que predizia que a cada 24 meses a capacidade de armazenamento de um processador dobrava, enquanto que seu custo permanecia o mesmo. Essa explosão repentina teve repercussões tanto construtivas, ampliando o espectro da comunicação, refletiu-se na situação política do globo, encurtando distâncias antes inatingíveis, como destrutivas, emergindo em segmentos sociais uma espécie de tecnofobia, nos Estados Unidos, comunidades inteiras uniram-se, estabeleceram cultos religiosos, predizendo a tecnologia como causadora da destruição humana, estando alheios a quaisquer formas de tecnologia, inclusive a luz elétrica. O mesmo pode-se evidenciar em comunidades na Bolívia, para as quais centenas de emigrantes mexicanos mudaram-se receando a industrialização do México. O corpo social assume aspectos biológicos quando sujeito a elementos novos e surpreendentes como a tecnologia, tal como uma farpa sob a pele, é rapidamente envolvida por líquidos inflamados, que contém agentes combativos, isolando o corpo estranho e expelindo-o. Em contrapartida o advento da internet possibilitou à organização social vislumbrar um conceito de globalização de mundo, o mundo como um todo, holístico e uno, onde cada indivíduo é parte constituinte e atuante, onde quer que se situe, a localização passa a ser um mero detalhe ante as possibilidades de interação social oferecidas pelo novo corpo, sobreposto e exterior ao corpo social, o corpo cibernético.Esse novo, incompleto e ilimitado corpo, representa para a humanidade possibilidades além de sua débil compreensão, ele pressupõe mudanças drásticas no corpo social, a partir da interação de diversas culturas por meio de equipamentos conectados ao espaço cibernético. A indução de um sistema de tradução universal. É a predição da comunicação global sem fronteiras, onde a linguagem distinta deixa de ser uma barreira para a interação humana, e a partir da linguagem a cultura sofre fusões internacionais, inter-relacionais, onde o indivíduo isolado, o eremita urbano, rural e social assume e reassume suas características humanas.O sistema ou modo de produção social isolou e fragmentou a sociedade em detrimento da indústria cultural, essa fragmentação cria especialidades e centralização entre o indivíduo, e este se torna alheio ao todo, pois é induzido a observar somente a parte e conduzido pelo aparelho, um transporte que o priva do movimento, seja o movimento físico, seja o movimento das sinapses cerebrais. Essa fragmentação do tecido social produz culturas estáticas e pouco mutáveis, em detrimento do status quo que as rege. O movimento é definido pela mobilidade da matéria, ou seja, o corpo está em determinado lugar e pelo gasto de energia transporta-se para um lugar distinto. Na cibercultura o movimento do corpo depende de sua interface, o indivíduo estático é munido de movimentação, de transporte pelo espaço cibernético, ele não encontra barreiras, sua velocidade é incomensurável e sua dimensão é intangível.O desfragmentador de discoNo corpo cibernético, a fragmentação do aparelho de interface (Hardware, Software), recebe a interferência de um programa do sistema conhecido como desfragmentador de disco, um utilitário que analisa discos locais, localiza e consolida arquivos e pastas fragmentados, revertendo o processo de fragmentação, que pode gerar perda de dados, lentidão do sistema e inconsistência no volume. O problema da divisão exagerada de componentes do sistema encontra solução no espaço cibernético, mas no corpo social e no sistema social não existem alternativas semelhantes.Assimilar a experiência organizacional e desfragmentada do corpo cibernético para o corpo social é uma tarefa hercúlea, e as próximas gerações poderão perceber cada vez mais essa influência, na medida em que tiverem toda a sua vivência permeada por uma interface digital, conectando-as a tudo e a todos. No século XXI, a Era da Conexão apresenta a junção do espaço urbano e espaço virtual, trazendo mobilidade, uma janela com vista para todo o conhecimento e informação produzidos pela nossa cultura.Os críticos da cibercultura apontam um vitalismo social baseado no hedonismo proporcionado pelo entretenimento, um ativismo global em torno do nonsense (ausência de sentido em todas as coisas), uma micro-política em torno do anarquismo e de revoluções anárquicas, onde o sentido de posse, e de direitos autorais, quaisquer que sejam tornam-se nulos. O advento do sistema operacional linux, o primeiro exemplo de software corporativo e livre, com distribuição aberta a todos, é o maior exemplo da anarquia cibernética, onde o que se entende por “linuxização do acesso”, é a possibilidade dos usuários construírem uma sociedade de informação livre, onde a comunicação agrega todos os aparelhos comunicativos, como diz Lemos:“Cria-se, na era da conexão, um ambiente de acesso e troca de informações que envolve os usuários. A fase atual da computação ubíqua, dos objetos sencientes, dos computadores pervasivos e do acesso sem fio mostra a emergência da era da conexão e da relação cada vez mais intrínseca entre os espaços físicos da cidade e o espaço virtual das redes telemáticas. O desafio da gestão informacional, comunicacional e urbanística das cidades passa pelo reconhecimento dessa era da conexão e da mobilidade.” Lemos, 2004O consumo de informação assume então dimensões práticas, assim como a sociabilidade, de forma jamais experimentada pela história humana. O valor material da informação assume valores binários, a anarquia corporativista e libertária do ciberespaço derruba as ditaduras culturais, noticiarias e informacionais, enquanto em um canal de tevê ou emissora de rádio o espectador apenas recebe informações, na universo cibernético ele as escolhe, ele as constrói, no universo cibernético o indivíduo têm o poder da integração.A distância existente entre os usuários da internet e o acesso ainda é o maior obstáculo para a denominada inclusão digital. Felizmente, grande parte das pessoas sentem a necessidade de entrar em contato com o mundo digital, em oposição ao ostracismo cultural gerado pela tecnofobia. Mas esse acesso, principalmente nos países mais pobres e desiguais, também caracterizado pelo preço inacessível dos computadores, representa a maior barreira para a inclusão. Os 54 países africanos já possuem acesso à internet, mas apenas 1% da população do continente vivenciam essa realidade, ainda assim de modo bastante tímido. A concentração dos mecanismos digitais nas mãos de poucos revela a timidez prática da inclusão. A ONU (Organização das Nações Unidas) considera a inclusão como fator primordial na visibilidade dos países pobres, pois quando conectados ao ciberespaço, sua capacidade de representação e voz ante ao mundo global pode aumentar significativamente, assim como a resposta da comunidade internacional.O corporativismo internacional, aliado ao capital estrangeiro, já prevê a inclusão digital como uma possível arma da rebelia anárquica, e os grandes grupos já se mostram prontos a fazerem aquisições de servidores, que promovem a informação, e veículos de notícias e controle da internet, subsidiada aos EUA, que detém o controle dos portais. As grandes corporações já assumem uma linha ofensiva no intuito de deter, controlar e restringir o universo de informações dos servidores e dos usuários. Mas elas ainda encontram fortes restrições ante a liberdade do ciberespaço, que não é regido por códigos de leis, mas pelos usuários e suas vontades.A restrição legal do uso da internet é um assunto polêmico e muitas vezes indiscutível para muitos usuários, que consideram uma utopia tentar controlar sua liberdade de acesso. Os governos, por seu lado, sofrem pressões multilaterais para prover soluções para o tráfego descontrolado e desenfreado dos usuários, a partir de fatos cruciais como a pedofilia, racismo e dezenas de outros fatos da crueldade humana.Para que seja livre o espaço cibernético precisa de valores, valores humanos, mas tal liberdade não pode ser restringida por fatos isolados, porém devem ser identificados e punidos aqueles que destroem esses valores. O ciberespaço não pode estar acima o espaço humano, mas tornar-se uma ferramenta para ampliá-lo, para dotá-lo de uma unidade total e irrestrita, onde os espaços físicos deixem de ser entraves para a interação entre povos e culturas, assim como seus costumes, linguagem e sentimentos, todos eles humanos e fundamentais. Schopenhauer diz em seu livro A Arte de Insultar: “O Mundo é o pior de todos os mundos possíveis”, talvez ao se referir ao mundo dos homens, ao mundo mortal e cruel dos sistemas sociais que fragmentam a vida humana. O cibermundo, o mundo digital, é antes de tudo a superação do nosso mundo tão terrível aos olhos do filósofo alemão, é a esperança humana de que o nosso sistema operacional seja desfragmentado, como um disco, unindo pedaços partidos e perdidos, para que nenhum valor e virtudes humanas se percam na infinita dimensão espaço-temporal do universo. O corpo cibernético, deve se assimilar ao corpo social, promovendo a revolução da compreensão, para que o espaço passe a ser universal e o tempo, o tempo de todos, o tempo da vida.O conceito de corpo cibernético é relativamente novo e necessita de constantes mudanças, tanto de ordem tecnológica quanto de aceitação humana. A aversão que ainda se mostra presente a esse novo conceito poderá ser combatida com o tempo, a partir da politização das futuras gerações, advento de maiores possibilidades de vivencia do mundo digital por parte de todos.A inclusão digital é determinante desse processo, que também pode medir como o crescimento da internet irá afetar a participação política e o poder político, talvez a internet não transforme pessoas apolíticas em pessoas politizadas, não transforme o individuo passivo em ativo, e tampouco o desinteressado em interessado, mas ela representa todo o poder dessa transformação, o poder das possibilidades, dos sonhos e dos sentimentos de liberdade, acessibilidade e encurtamento de distâncias, além da quebra de muitas barreiras. A revolução cibercultural pode não ser tão revolucionária, mas como toda revolução, representa a maior necessidade do mundo: a mudança.

CATARATAS DEL YGUAZÚ conto de josé alexandre saraiva

Sutil Teatro de la Vida

Es noche, noche alta. Estoy solo en las Cataratas del Yguazú. El virginal aire del Parque Nacional – señor de todas las tonalidades de los distintos verdes de las hojas – y el arcoiris en plenilunio, en silencio, filtran mis sentidos hacia un lujoso espectáculo. Por un momento, cierro los ojos. Me detengo en la ruidosa sintonía de las invencibles aguas. En velos perennemente alineados, ellas se arrojan de las majestuosas alturas, escenario de magnífico teatro diseñado por Natura en una inconmensurable pantalla semicircular.

La sensación es la de estar frente al show de los tiempos. Anhelante, escucho más allá de mi respiración, de una sola vez, columpiados en intangibles sábanas de espumas, a un paso de distancia, el murmullo de todos los siglos; los estallidos de todas las bombas; el silbar de todos los azotes; el silencio de todas las lágrimas; el “arroz con leche”de todas las criaturas; la orquestación de la caricia de todas las manos en la apoteosis del amor y de la paz. Oigo nitidamente el despertar de las azucenas; el adiós de todas las hojas caídas; la disonancia de todas las ambiciones y mentiras; el rastreo de los lacayos; el estallido de Hemingway. Repercuten el diapasón de la verdad; el eco de todos los verbos; los versos de todos los poetas; el suplicio de todas las ejecuciones y de todas las selvas en llamas; el cantar de todas las aves y grillos; el zumbar de todas las cigarras y la sinfonía de todos los sapos. Puedo distinguir aún los motores de todas las fábricas; el silbido de todos los vientos; el ladrido de todos los perros; la ondulación de los océanos; el ruido de todas las puertas; las gotas de todas las lluvias; los minuteros de todas las horas; los pregones de todas las bolsas. Voces fuertísimas acusan, otras, pianísimas, perdonan. También arrullan allí los suspiros, muchos suspiros de esperanzas perdidas; sollozos postreros de los que parten, llantos de los que quedan y la triste melodía de todas las añoranzas. Todo delante de mí, vibrando rítmicamente y desparramándose para siempre, irreversiblemente, en sonora y armónica sincronía rumbo a la eternidad de todos los más allás, de todos los misterios, de todas las dudas, de todas las búsquedas. Y yo, público espectador.

En una mezcla de éxtasis y miedo, dominado por la sinergia existencial, resuena dentro de mí el temblor de abisal distancia entre lo que pensaba ser y todo lo que existe más allá de los remansos de los ríos. Abro los ojos y miro al arcoiris envuelto en espesa niebla , que flota, acunando el baile de la golondrina nocturna. Él me dice:
- Es todo. Con todos los colores visibles e invisibles...
Arrebatado, me dejo aletear en las alas de una mariposa azul. Flotando más adelante, allí cerca, veo las candilejas silenciosas del encuentro de las aguas de los ríos Yguazú y Paraná. Luego del profundo abrazo – hermanadas en nuevo y único lecho, que conduce el auriverde de Brasil para márgenes de otros parajes -, velos plateados lentamente ocultan la luna, oscureciendo la noche y quitándole a las aguas su color de plata.

Miro de reojo el arcoiris que se desvanece. Las luces del teatro se van apagando inapelablemente y las primeras luciérnagas sentinelas se presentan, titilando el encanto de sus bujías en los imperceptibles vericuetos de la oscuridad.

Las hojas de la arboleda bajo la cual me encuentro desde el comienzo del espectáculo hace mucho están lloviznando sobre mí los copos emanados de espumas tiradas por soberbias piedras. Estoy mojado, y mi cigarrillo, amargo, exhala su veneno, ahuyentando los afables y receptivos quatíes que estaban merodeando. Estoy de vuelta. Siento el mal aliento de la Civilización.

Y una vez más, Dios fue aplaudido.

ESPERANÇA poema de joão batista do lago

(Para o poeta Manoel Andrade)



Disse-me o Poeta:
- ainda não encontrastes a porta da Esperança!

- De fato, Poeta, ainda não atravessei a porta!
E confesso-te, ó Mago das Palavras:
Sou deveras criança a caminho do Sol.
Não tenho pressa…

Nos meus umbrais, ó Poeta,
Ôntica é a Esperança, que se
Lança na eternidade do em-mim de si
Sendo não Ser para sempre Ser.

Não tenho dúvidas, contudo, há-de a
Esperança um dia tornar-se presença…

Estrela que se fixará no céu da eternidade,
Donde, como Zeus, amarei a humanidade!
Donde, como Dionísio, sorverei do vinho da sanidade!
Donde, como Apolo, iluminarei toda dignidade!
Donde, como Deus, serei eu-em-si por toda eternidade!

INVENÇÃO de LF - conto de luis felipe leprevost

E se eu o chamar de LF? Parece-me bem, é justo. Aqui entra na história LF. Explico: Lembra que teve um momento lá atrás (ler Fagulhas, irrelevantes fragmentos de narração) em que me levantei e fui ao banheiro? A propósito dessa ida farei agora um flashback para o interior do banheiro.

O barulho do mijo na água da privada. Alguém que tivesse usado antes de mim aquele sanitário também não havia dado à descarga. A água suja, amarelada de um amarelo espesso e escuro. Preciso diminuir o café. Chacoalho o membro (como naqueles textos que a gente pode ler no www.contoseróticos.com.br). Ele mesmo, o pau, está um tanto encolhido, em respeito ao frio, espero, o que dificulta um pouco a manobra. Caem pingos na cueca. Levando o zíper da calça. Preciso decidir se lavo as mãos ou não. É líquido o sabonete que tem ali, odor de morango. Ok, excepcionalmente as lavo. Minúcias de decisões que devemos tomar nos banheiros. Depois faço um bochecho com água da pia. Enxáguo o rosto, a barba fica empapada. Enxugo-os com a toalha de papel. À força arranco do maldito suporte mais uma folha. E enquanto esfrego o rosto com uma terceira toalhinha me sinto culpado, meus olhos acabam de se deparar com a frase duas toalhas são suficientes para secagem das mãos. Mas estou secando a boca e o queixo babado, menos mal para o meu lado, é, afinal, uma boa justificativa à meu favor. Droga, com a quarta toalha penso não em enxugar o rosto, mas em apagá-lo.

É, estou me olhando no espelho. O que vejo? Barba, muita barba, como fosse um terreno baldio tomado por vegetação o meu rosto. Em meio aquela fauna e flora meus óculos se anunciam cheios de rancores em relação ao que me ajudam a ver. Por trás dos óculos, olhos verdes. Olhos verdes com chuva de granizo dentro. Meus cabelos são aloirados, alguns fios brancos. É uma vasta cabeleira que ainda não decidiu se vai cair ou embranquecer.

Visto um pulôver claro, cor magenta, manchado de café. Um corpo. Um corpo que nos últimos seis meses perdeu uns trinta e poucos quilos e mesmo assim ainda está mais para Pingüim do que para Batman. Pelo menos não sou um daqueles idiotas do Clube Curitibano que ficam disputando para ver quem é que agüenta correr por mais tampo encima de uma esteira ergométrica, para depois no Bar do Tênis se vangloriar por ser o novo campeão da Olimpicc.

Espelho espelho meu será isto aqui um filme de Jim Jarmusch? É a chance que tenho para me inventar. Talvez seja bom me ver assim tão turvo, desfocado. As deformações estão mais por trás da imagem que vejo. A máscara não é a própria cara, porém não é capaz de não traí-la repetindo suas feições e expressões de impiedosa auto-denúncia. Não sei se sou capaz de me construir em detalhes, e não me importo. Sei que informar a um leitor que o personagem não reagiu, que o personagem é todo ele a ausência de um sorriso, sei que tais detalhes dirão mais sobre ele do que construí-lo minuciosamente osso a osso.

Dou outra olhadela no espelho, a última, antes de sair do banheiro. Sei que construo de mim alguém que poderia ser chamado Solidão. E a meu ver tudo isso é menos que diabólico, menos que angelical. Devo ser um personagem que ficará no meio do caminho. As medidas daquilo que invento estão em meu punho doído, na força que os dedos têm que fazer para manter a caneta correndo no papel. As que estão ali em minha frente certamente são feições de tristeza.

Penso: Admita, paspalho, admita que você aprendeu direitinho a mimese da tristeza. Você é um canastrão, o melhor papel que faz é de macho condoído. Todas as ausências de caras-e-bocas, todas as faltas de entusiasmo se assiste em tua cara. Nem essa overdose de inconsciência te salva. Você é um cachorro, um dog, dos mais desprezíveis, você e tua cara de carente profissional, abanando o rabo para primeira garotinha um pouco esperta que aparece na tua frente.

Agora me pergunto se cachorros morrem de amor. Não, cachorros não morrem de amor. Cachorros morrem atropelados. Morrem da falta de ração. Mas não morrem, não mesmo, de amor. Se ao menos eu fosse um cachorrão fodedor, teria uma mandíbula temida e desejada. Deixaria minha marca indelével em cicatrizes eternas.

Será esse o personagem que busco? O sujeito que fará par romântico com S? Será essa triste figura o meu LF? Devo temê-lo? Quanto tempo de pesquisa frente a um espelho para extrair algo real de dentro daquela imagem, algum sinal de que ali há vida? Mas espelhos não guardam nada, espelho não guardam nem borrões de lembranças. Só um kamikaze procuraria um personagem onde seus piores sentimentos vieram à tona.

POEMA - de carolina correa

(........)
Quero fazer sexo no céu,
Me deitar numa nuvem,
Guardar uma estrela no bolso,
Descobrir o universo.

Quero derreter no frio do Alaska,
Tocar as chamas de gelo,
Me incomodar nos sapatos mais confortáveis,
Sussurrar um segredo no espelho.

Quero voar nas ruas de New York,
Pensar por toda a vida em 1 segundo,
Compor uma vida perfeita,
Cantarolar notas inexistentes.
Quero me afogar num copo d´água,
Me comunicar com um simples piscar,
Me perder num buraco negro,
Sorrir ao ver o vento soprar.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

ATENÇÃO! ATENÇÃO!


"No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer.
Daqui a alguns anos,teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas eles não se lembrarão para que servem."



Dr. Dráuzio Varella

QUANDO CHEGA O VERÃO - POMBOS


Pombos trazem micose que pode matar. Perigo aumenta no verão Calor e umidade aumentam o risco de doenças transmitidas por animais que vivem em bandos, como aves e morcegos. Temperaturas elevadas e umidade excessiva criam um ambiente propício para a maior incidência de casos de doenças transmitidas por animais de hábitos gregários (que vivem em bandos), como aves e morcegos. Uma das complicações que podem se tornar comuns nesta época do ano é a criptococose, mal que atinge o aparelho respiratório e o sistema nervoso central, podendo levar à morte.

FÁBULA CONFABULADA - por josé zokner (juca)

Numa pequena aldeia chinesa vivia uma família ídem, quer dizer, também pequena. O pai, Byl Kha Leh; a mãe, Ple Tza Leh e uma filha, San, que, em japonês, quer dizer “senhor”; em espanhol, “são”; em inglês, foneticamente, é “sol” ou “filho” mas, em chinês, carregando o esse, quer dizer “Vitória”. Os pais haviam dado esse nome à filha em homenagem à vitória de quem e daquilo que eles, ideologicamente simpatizavam e defendiam.
San era uma moça muito bonita e não faltavam pretendentes para namorá-la. Dentre eles, Meh Zeh Men, um rapaz muito trabalhador e ordeiro, mas que tinha a – segundo alguns a má, segundo outros a boa – fama de conquistador.
Meh Zeh Men, depois que conheceu San, afastou-se das outras namoradas. O que a deixou bastante satisfeita. E também a seu pai, embora com uma certa reserva, já que Byl Kha Leh, na sua época, não havia sido muito diferente de Meh Zeh Men. “Conheço muito bem essa raça”, pensava Byl Kha Leh, “e com muito conhecimento de causa, ou de ‘know how’, como costumam se expressar os imperialistas americanos”.
O namoro transcorreu sem incidentes. Sentados no sofá da sala de visitas, conversando em voz baixa para que uma tia solteirona, designada como sentinela, enquanto fazia um tricô, ou crochê – isso não foi possível averiguar –, apurando os ouvidos para captar algum assunto que, eventualmente poderia ser dissonante para os padrões comportamentais daquela época. De agarramento, então, nem pensar...
O noivado ocorreu com a presença das duas famílias, durante um jantar íntimo, quando, após um breve discurso, proferido com voz firme e olhando a todos bem nos olhos, no qual Meh Zeh Men assegurava suas pretensões de proporcionar uma vida feliz para San, através dos proventos que iria ganhar, fruto do seu árduo trabalho; que gostava muito de San; que não poderia viver sem ela, enfim, disse tudo aquilo que se costuma dizer em tais ocasiões.
O casal começou a se preparar para o casamento. Inicialmente iriam viver nos fundos da casa do pai de Meh Zeh Men. Uma meia água de duas peças. Posteriormente, comprariam um terreninho para construir seu próprio ranchinho. E assim por diante que o leitor já está cansado de ouvir falar nesse tipo de ascensão social. O quarto de casal se constituía numa cama e um guarda-roupa, doado pelos pais de San. Cada vez que o casal entrava no quarto ou, mais liberado da fiscalização da tia, se encontrava a sós, Meh Zeh Men roubava um beijo de sua noiva e começava a se alvorotar o que San repudiava com muita graça e recato. “Mas a gente vai casar mesmo, por que não, agora ?”, argumentava Meh Zeh Men, parecendo ter l00l mãos ao procurar alisar o corpo de San.
“Só depois de casarmos. Você sabe que eu não abro mão, pé ou seja lá o que seja das minhas convicções”, contestava San. E quanto mais estavam juntos, maior era o assédio. Diretamente proporcional, portanto, o que, convenhamos, que, nesse momento ou nessa altura do relato, absolutamente não vem ao caso. San, que não era de ferro e que sentia abalada suas já parcas resistências, foi se aconselhar com sua mãe, Ple Tza Leh, para saber como tinha sido no seu tempo. Ple Tza Leh, que não havia resistido aos assédios de Byl Kha Leh, mentiu para a filha que só depois de unidos pelos laços do matrimônio indissolúvel, etc. etc.
A noite, Ple Tza Leh, deitada ao lado de Byl Kha Leh, comentou com o marido o diálogo que havia tido com a filha. Este, como se costuma dizer no Ocidente, ficou uma arara, uma fera, possesso, pê da vida: “Onde já se viu ? Onde é que estamos ? O que é que esse Don Juan de meia tigela está pensando ?, etc. etc. E tamanha foi a indignação que se levantou da cama e foi recapitular as artes marciais que havia aprendido na sua juventude. Na manhã seguinte, conhecendo o caminho que Meh Zeh Men fazia para ir ao serviço, esperou-o atrás de uma esquina e quando o rapaz passou deu-lhe um pito, mas estava preparado para uns safanões, se necessário fosse. Mais que isso não, porque, afinal de contas o rapaz teria que estar em forma para o casamento que estava próximo. Meh Zeh Men, que havia aprendido com seu pai que, por sua vez, havia aprendido com o dele, que se deve respeitar os mais velhos, o que é muito seguido na China, ao contrário dos países do decadente Ocidente, não reagiu. E a coisa ficou por isso, quer dizer, na base do “deixa pra lá”. Veio o casamento e os dois viveram felizes, que se saiba pelo menos nos primeiros anos. Atualmente, somos obrigados a confessar que não sabemos.
Moral: Nunca se deve cantar a Vitória antes do tempo.

A ARQUITETURA do DESEMPREGO - por bruno edson dos santos

Hoje em dia, o desemprego desponta como um dos mais graves problemas das sociedades urbanas. Em face a essa chaga das sociedades pós-modernas, listam várias causas, e um motivo bastante apontado é o uso da tecnologia em geral, e em particular a automação de processos industriais alcançado com a informática. Mas, seria interessante analisar até que ponto isto é uma realidade e não um lugar comum que, de tão repetido não há mais questionamentos.Em primeiro lugar, não se deve esquecer que a história da evolução tecnológica é a história da própria evolução humana. Veja que, a tecnologia aqui referida é qualquer invenção de instrumentos que venha a facilitar a vida prática do homem. Acredita-se que a primeira grande revolução tecnológica tenha acontecido há cerca de 700 mil anos, e consistiu na descoberta da primeira fonte de energia: o adestramento do cachorro. Efetivamente, o homem descobriu que poderia utilizar esses animais como fonte de energia, isto é, puxar trenós durante as eras glaciais. Mas por que cachorros? É que esses animais acompanhavam as hordas humanas nas caçadas a fim de se alimentarem dos restos deixados. Aliás, a invenção da roda foi tardia por causa de uma simples questão prática: a roda sobre o gelo não serve para nada. E daí para frente o homem sempre procurou saber em que suas invenções e descobertas poderiam melhorar a sua qualidade de vida. Nas primeiras civilizações urbanas surgidas na região mesopotâmia a aproximadamente 3.000 A.C., ocorreram então um gritante salto tecnológico, com invenções que melhoraram a qualidade de vida e a organização social, como por exemplo, a invenção da escrita, o desenvolvimento da agricultura, adestramento do gado, a evolução da arquitetura, da matemática, da astronomia – possibilitando as viagens noturnas – o comércio. Bem, apesar de todos esses avanços, o problema do desemprego aparece como doença social somente na sociedade pós-industrial. Por quê? Primeiramente, precisamos ver a importância das mudanças nas relações humanas, nos fatores de poder, nas economias, nos sistemas de produção, distribuição e propagandas ocorridas nos últimos 20 anos e que cunhou o termo sociedade pós-industrial. É um tanto difícil detalhar as mudanças, mas uma que parece saltar a vista é a mudança no trabalho, e é aí que entramos na sensível relação desemprego-automação. Indubitavelmente, o desenvolvimento da automação industrial, tirou inicialmente o homem dos lugares perigosos do chão-de-fábrica e forçou-os a se deslocar para o terceiro setor, o de serviços. Assim, a nova sociedade se funda mais no tempo vago e não no trabalho, mais na criatividade do que na produção, mais nas idéias do que no esforço físico. Até então a mudança andava num processo gradual e em equilíbrio. Só que o desenvolvimento da eletrônica, da informática e em especial, dos microprocessadores, rompeu o equilíbrio simplesmente robotizando as indústrias, fato que acabou melhorando a qualidade do produto, baixando seu custo, e se configurando como um “grande causador do desemprego em massa”. Grande causador do desemprego? Nem tanto. Na sociedade contemporânea, o problema do desemprego parece se alastrar por todos os países, desrespeitando fronteiras entre o mundo desenvolvido e o subdesenvolvido. Numerosas são as explicativas e incontáveis são os fracassos nas estratégias para conter esse flagelo. Seria conveniente, ao menos analisar aqui algumas razões que, sem dúvida, motivam em algum grau esse desemprego crônico. Muitos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento sofrem um sério desaquecimento da economia, com cada vez menos investimentos no setor produtivo, principalmente na indústria, e conseqüente falta de criação de postos de trabalho. Baixos salários, forçados pelas freqüentes flexibilizações dos contratos de trabalho a fim de reduzir custos de produção, provocam uma sensível queda no nível de consumo da população, que por sua vez, provocam queda na produção por falta de vendas, e portanto demissões por falta de produtividade. Esse ciclo maligno ocorre em diversos mercados em alguma medida, e mais claramente em algum produto, tal como no mercado automotor, mas a maioria dos países ocidentais sofreu esse ciclo vicioso nos últimos anos com uma redução latente no nível de consumo. Em muitos desses países, juros altos são implementados pelos Banco Centrais (o Brasil é campeão nesse quesito), a fim de atrair investimentos estrangeiros, que na maior parte das vezes, são aplicados no setor financeiro e não no produtivo, justificado pelo retorno fácil e rápido assim como pela liquidez imediata. Esses juros altos aumentam a dívida interna dificultando a aplicação de recursos no setor público e até estrangulando os investimentos no social. Além disso, dificultam, quando não impedem, o acesso ao crédito para as empresas em geral, principalmente para as indústrias que precisam de um alto capital de instalação a fim de adquirir os ativos necessários para o seu funcionamento e para o agronegócio que precisa de crédito para as colheitas. Outro fator é a globalização, aliás, essa globalização “assimétrica”. Os mercados subdesenvolvidos acabam (por imposição dos órgãos internacionais como FMI, Banco Mundial e OMC) diminuindo alíquotas de importação, desprotegendo então, suas indústrias internas que acabam fechando porque não puderam competir com igualdade contra mercadorias produzidas com mão-de-obra barata (às vezes semi-escrava) ou com fortíssimos subsídios, vantagens fiscais, isenções de tarifas, ou outro fator que constituem “dumping”. Já os países poderosos protegem-se com altas alíquotas, cotas, subsídios ou simplesmente proibição de comércio, como é o caso que acontece com Cuba. Nos anos 80, com o auge do neoliberalismo, e sob a filosofia do Estado mínimo, ou seja, com o mínimo de déficit fiscal e, portanto muito eficiente, diversos países privatizaram suas empresas. Essas empresas, que em muitos casos eram verdadeiros “cabides” de emprego, passaram por “reestruturações”, procurando aumentar a eficiência, o que na maioria das vezes significou, demissões em massa. Vale também verificar que, principalmente nos países industrializados, os próprios empresários não aplicam seus lucros nos reinvestimentos produtivos, e sim no mercado financeiro pelas mesmas razões explicadas anteriormente. No meio de todo este contexto, é óbvio que o uso da tecnologia é o agente menos nocivo do desemprego. Mas também é inegável que, principalmente nos países desenvolvidos, ocorre sim um processo de substituição da mão-de-obra humana por robôs, computadores e máquinas em geral que realizam o trabalho de modo mais rápido, eficiente e preciso. Sem dúvida o alto desemprego é um produto direto e proposital dessas ideologias neoliberais e economias de mercado. Isso por que o desemprego tem uma função estrutural na economia de mercado, precariza o emprego existente através da ameaça ao empregado de que ele é facilmente substituível, possibilitando assim diminuição do salário e dos direitos trabalhistas em geral, aumentando os lucros das empresas. Há tempos o desemprego deixou de ser um problema econômico para se tornar num dos mais urgente e grave problema social. O desempregado fica exposto à miséria, sem acesso à bem nenhum e, portanto, na prática, sem direitos. Principalmente o mais importante deles, o direito a vida. Exato, pois nenhuma providência é tomada para lhe fornecer acesso à saúde, alimentação, moradia e outras coisas dos quais o estado neoliberal cada vez mais se “esquece”. O indivíduo fica dependente somente de suas próprias forças, que no caso do desempregado é simplesmente nenhuma. Quando ele tenta se apossar desesperadamente desse direito, então passa a ser um marginal, alguém que não merece viver junto aos demais cidadãos “civilizados”. Bem, os Estados não fazem nada? Eles tentam diversas armas. Uma das principais, que é imposta pelo mesmo sistema que deseja o desemprego, é a tal flexibilização dos contratos de trabalho. Vislumbraram um dia, magicamente, que as dificuldades de contratação e demissão eram onerosos para as empresas, encareciam a produção, impedia a concorrência e portanto geravam desemprego. Então vamos a solução! Extinguiram quase totalmente os direitos trabalhistas, jogaram no lixo o salário mínimo, acabaram com a jornada máxima de trabalho, faltaram apenas retornar novamente a escravatura e, no entanto as empresas beneficiadas (muitos vezes os próprios estados) com essas tais flexibilizações não geraram um único emprego. Apenas por uma simples razão: não precisavam de mais trabalhadores. Talves acreditam ainda que a prosperidade da empresa resulta na prosperidade dos trabalhadores, só que às empresas se oferecem todo o tipo de vantagem, subsídios, contratos vantajosos, incentivos fiscais entre outras coisas. Ela aceita, e, no entanto não abrem sequer um posto de trabalho e ainda por cima fecha ou ameaça fechar se tudo não ocorrer conforme sua vontade. Os órgãos internacionais, eternos protetores do mundo livre, defendem e incentivam as flexibilizações dos contratos. Pelo que se viu até aqui, diversos são os fatores que provocam o fim do emprego, mas principalmente nos países industrializados o avanço tecnológico provocou fato inédito: Para se produzir todos os tipos de bens e serviços, já não fazem falta todos os trabalhadores. Portanto sonhar com o pleno emprego, como no período pós Segunda Guerra até os anos 80, é UTOPIA. Não estamos vivendo uma crise passageira no qual o próprio sistema – como se um dia tivesse conseguido – inventará um remédio. A visão mais terrível disso é que, sem uma justa distribuição de renda e bens produzidos pela tecnologia, uma quantidade cada vez maior de seres humanos não será mais útil a uma pequena parcela que molda a economia e detém o poder. Segundo a lógica reinante, essa multidão toda não tem razão para viver neste mundo. Para que a máquina, como bem de capital e consumo, cumpra o desejo de Orwell em seu clássico 1984: “Num mundo em que todos trabalhassem pouco, tivesse bastante que comer, morasse numa casa com banheiro e refrigerador, e possuíssem automóvel ou mesmo avião, desapareceria a mais flagrante e talvez mais importante forma de desigualdade”, é necessário que a riqueza gerada seja justamente distribuída. Que todas as pessoas tenham acesso a esses benefícios, e não só agentes econômicos, os donos de empresas e burocratas, enquanto que o trabalhador desempregado fica sem acesso a bem nenhum. Será que a saída é impedir que as tecnologias possam melhorar os produtos em qualidade e quantidade em nome do emprego total? Acho que essa não é a saída. A justa distribuição da riqueza é sim, um assunto de amplo debate em toda a sociedade e os Governos tem o dever de dar respostas a seus povos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

VIVA! RENAN ABSOLVIDO!!


Depois da absolvição do Renan, só sonhando mesmo....

”QUANDO TUDO VOLTAR AO NORMAL...


- Haverá um dia em que todos voltaremos a ser Felizes!


- Será o dia em que:


- GENUÍNO será algo puro, verdadeiro;


- GENRO apenas o marido da filha;


- SEVERINO apenas um nome usado no nordeste,


- FREUD voltará a ser só o criador da Psicanálise;


- LORENZETTI será só uma marca de chuveiro;

- GREENHALGH voltará a ser um almirante;


- Dirceu, Palloci, Delúbio, Silvio Pereira, Berzoini, Gedimar, Valdebran, Valdomiro, Bargas,
Expedito Veloso, Gushiken, Marcos Valerio, etc, serão simples PRESIDIÁRIOS .
- MÔNICA apenas aquela da turma.

- E LULA, APENAS UM ANIMAL MARINHO !


Agora, quando olho meu titulo de eleitor entendo o verdadeiro significado da palavra 'ZONA ELEITORAL'!!!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

CONVITE de frederico füllgraf


sexta feira dia 7 de dezembro lançamento do documentário as 19 horas no mini auditório da UTFPR (antigo CEFET) na rua 7 de setembro, 3165. Todos lá porque está excelente. Cocktail após a apresentação.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

QUASE SERENAMENTE - por carlos alberto pessoa

A Venezuela tem 27 milhões e 500 mil habitantes, PIB de US$ 225 bi; renda per capita de US$ oito mil aa, 0,784 de IDH (74º lugar), taxa de crescimento demográfico = 1,8%. E gasta com a “Defesa” quase 2% do PIB. Ela é ameaçada por quem? Pelos EUA? Ela ameaça quem? Os EUA?

OLD FASHION

Na Venezuela a ditadura é velho sucesso de público&crítica, algo intrínseco a ela. A partir de 1848 -menos de 30 após a independência comandada por Bolívar - ela curtiu quase um século de autoritarismo; o cabo de esquadra Chávez não é exatamente avis rara naquelas bandas tropicais.

OURO...

No final do século XIX, ouro na Guiana Inglesa! A Venezuela ouriçou-se. E quase foi à guerra com “a velha e pérfida Albion”. Ainda a primeira potência mundial à época, como os EUA são a potência hoje. O cabo de esquadra Chávez não é exatamente avis rara naquelas bandas tropicais.

E ÓLEO

No começo do século XX, óleo! Aos borbotões! Não há páreo na América Latina. O país cresce – como direi? – pacas: 8% ao ano durante anos - a 7% aa dobra-se o PIB em uma década.

A CRÔNICA CIRANDA

Em 1945, enfim a democracia. Como aqui. Durou pouco. Menos do que aqui. Em 48 os milicos acabaram com a festa. E ficaram no poder até 1958, quando Pérez Jiménez
foi tirado à fórceps, claro. O cabo de esquadra Chávez
não é exatamente avis rara naquelas bandas tropicais.

A ESTABILIDADE
POLÍTICA

A partir de 59, a estabilidade política, ma non troppo: dois partidos se revezam no poder, a AD, Ação Democrática, e o Copei, social-cristão. Para o quadro ficar mais realista adicione os bandidos-guerrilheiros, os inevitáveis grupelhos esquerdopatas-totalitários, militares nacionalistas-golpistas, o de sempre. O cabo de esquadra Chávez não é exatamente avis rara naquelas bandas tropicais.

ANTES QUE ESQUEÇA

Nesse período foram levados ao ar mantras nacional-desenvolvimentistas, o receituário da Cepal ou Keynes traduzido pro calão: reforma agrária, estatização do petróleo, substituição de importações, industrialização à qualquer custo, o de sempre. No sétimo ano do terceiro milênio da era cristã, a Venezuela ainda depende do petróleo: 80% das exportações!
RECOMEÇAR

No início da década de 90, milicos atacam de novo, atacam o reeleito Carlos Andrés Pérez, o homem que nacionalizou o óleo.

- Quem está à frente de três tentativas de golpe? Yes! Se você cravou Hugo Chávez Frias ganhou o peru! Ele mesmo, coronel e “nacionalista” – incuráveis lepras terceiromundistas. Hegel tem razão, “a história se repete”;
Marx também, ao acrescentar: “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. E dizer que o Kamal Ataturk é o avô dessa excrescência!

AGORA

O cabo de esquadra Chávez se elegeu direitinho, assumiu em 1999. De lá pra não tem feito quase outra coisa senão delirar, armar-se, atacar os EUA&Bush, namorar o terror, golpear sucessivamente as instituições liberais-democráticas: a propriedade privada, as empresas privadas, os meios de comunicação, a Justiça, o Legislativo.

UMA LUZ

Felizmente, ontem, domingo, dois de dezembro do ano da graça de 2007, num plebiscito armado para lhe dar plenos poderes, o cabo de esquadra Chávez foi rechaçado.

Os opositores, apesar de tudo, obtiveram vitória que espero seja o início do fim de mais essa triste página da emporcalhada história latino-americana.

IDEÁRIO DE NÃOS (I)

Que não precisa de mais um coronel ou general ou comandante a liderar outra estúpida corrida armamentista.
Que não precisa de mais um falso iluminado ou falso brilhante. Que não precisa de mais um regime policial-militar. Que não precisa de mais um ditador. Que não precisa de mais uma caricatura de ditador. Que não precisa de mais “nacionalismo”, o último refúgio dos canalhas, pois o patriotismo é o último refúgio dos velhacos.

IDEÁRIO DE NÃOS (II)

A América Latina não precisa também de “socialismo”, leia-se estatismo sem aspas, pois esse é o seu resumo e essência. Tudo sob as podres asas do governo, nas mãos dos burocratas civis& militares&partidários&patotas&familias de rapinagem, totalitárias, autoritárias, boçais, cafajestes. A enganar os trouxas com mistificações tipo “propriedade do povo”.
Nada é do povo se tudo é do Estado, do governo.

REPUGNANTE

Ora, o “estado é o mais frio dos monstros frios”. E o mais repugnante também. Quando ultrapassa seus clássicos papéis na segurança&justiça, transforma-se no inimigo público número um, no inimigo número um do público, especialmente dos adidos e mal pagos. E o estado latino-americano é o inimigo por excelência. Erigido e mantido pra tungar adidos e mal pagos na medida em que redobra as declarações de amor aos adidos e mal pagos. Basta e fora.

GRANDE FINAL

A América Latina precisa de educação moral, liberdade(s), capitais. Não de tutela e curatela. A América Latina não precisa de heróis ou palhaços ou demagogos, precisa de estadistas. Que digam ao povo que não há almoço grátis, que não há atalhos, que crescer-desenvolver não é um piquinique. Não há salvação fora do suor, lágrimas, trabalho. Tudo o mais é bobagem, ilusão.

A IRA ÉIA do MEGALOMANÍACO - poema de jairo pereira






uma ópera em quinze dias não me contenho
imagens nas imagens
os compostos do alto espíritho
foda-se com teu dinheiro Sr. dos Precipícios
imagens nas imagens signos nos signos
incontroláveis os atos do criar
o ser incriado
destrezas de louco obsessivo os golpes do fazer
os saltos cegos do gênio no desconhecido
imperfeitos os traços desse desenho na tez da pedra
desdivina providência a improporção dos ditos
ranhuras ciscos graphitos garatujas nos ofícios
labor insurreto com os materiais da vida
mágicas construções as mãos nuas sem enredo
o ímpeto o gesto a ira éia do megalomaníaco.

BRADO - poema de nelson padrella

Quando a poesia for sonora
Poderemos ouvir cantar a aurora
Quando a poesia for calada
Ouviremos ai-de-mim, mais nada.

No coração da poesia a voz do povo
Alegre, feroz e verdadeira
E nesse âmago estará o novo
Nele o som da aurora e quem me queira.

Pois tudo cabe na poesia, tudo
As bandeiras do povo vão na frente
Depois, é caminhar sobre veludo
Na direção do amor de toda gente.

10 NOTAS ANTIPATRIÓTICAS - alexsandro a. oliveira

ou por uma vida para além da Pátria e do Estado

Nota 1 - Todo patriotismo é coisa inventada e imposta.

Nota 2 - Onde há Estado a noção de Pátria se faz necessário. A construção da lealdade ao Estado passa pela construção da obediência patriótica. Tudo aquilo que é usado para definir a pátria, o espírito patriótico, é usado para assegurar a permanência do Estado. A Pátria compartilhada legitima a unificação política do Estado. É sobre a bandeira da Pátria que o Estado é defendido.

Nota 3 - Um Estado, um sentimento patriótico – o estabelecimento de um padrão de sentimentos que devem ser vividos e experimentados. Os traços culturais são usados para construir a noção de Pátria. A construção do conceito de Pátria passa pela eliminação da alteridade. Pátria é uma noção reacionária. O discurso patriótico é coercitivo. Se não se tiver pela Pátria um amor fiel corre-se o risco do estigma, da exclusão, de ser considerado um herege.

Nota 4 - Patriocentrismo - o fenômeno que coloca a pátria como centro do universo, uma derivação do etnocentrismo e sociocentrismo.O etnocentrismo alimenta as mais diversas formas de preconceitos, racismos, fanatismos, xenofobias. Um de seus maiores problemas se encontra na desqualificação do outro. O etnocentrismo é uma característica comum a diversas sociedades. Seu limite se encontra na percepção do outro, mais especificamente na ignorância, no desconhecimento do que o outro de fato representa e da importância do outro enquanto outro.O patriocentrismo possui um traço comum com o etnocentrismo: uma atitude de superioridade frente a outras sociedades e culturas a partir de uma percepção auto-referencial - os membros de uma sociedade percebem-se não apenas diferente, mas superiores.Um outro problema é quando se começa a considerar como únicos possíveis os pontos de vista dado pela visão patriótica. Internamente ao Estado tal noção dominante e tida como superior pode levar a não aceitação das discordâncias e a censura destas. Tal visão é absorvida pelo sujeito que passa a considerar esta visão como estando ligada a sua situação e as suas atividades próprias. Cria-se um estado de espírito no qual o sujeito deixa de compreender sua própria situação e passa a compreender tudo pela visão da pátria e do Estado. Ele só compreende a pátria na perspectiva dela mesma. Tanto elementos afetivos quantos intelectuais estão em jogo. O sujeito perde a sua singularidade em prol de uma identificação com elementos que lhes são exteriores e estranhos. Não compreende que muito daquilo que ele venera foi construído em momentos que lhes são totalmente distantes, tanto no tempo quanto no espaço, e em circunstâncias das quais ele desconhece e que não teve nenhuma participação. – um exemplo são os símbolos patrióticos.

Nota 5 - O que alimenta tal atitude patriótica é a incapacidade de compreender a complexa trama de elementos que envolvem a construção do seu conteúdo e do seu funcionamento. Havendo, por conseguinte, uma redução dos seus elementos componentes dentro de uma elaboração de visão de mundo extremamente centrada em um conteúdo moral a incapacidade de compreender e de conceber a pátria como uma invenção, como uma construção, pode levar a geração de um conteúdo moral que busca evitar qualquer esforço reflexivo, qualquer analise sobre as implicações de se viver sob um regime patriótico. Esse conteúdo moral pode chegar às raias da crueldade, da brutalidade, do totalitarismo e do fascismo. Tal conteúdo moral quase sempre desqualifica os esforços do pensamento criterioso e analítico. Assim, a incapacidade de autocrítica somada a condenação a qualquer tipo de crítica fazem do patriocentrismo uma atitude arrogante, fundado em idéias preconcebidas que constrói seus discursos tendo por base pressupostos arbitrários, caprichosos e injustos.Tais comportamentos morais e afetivos que definem e caracterizam o afeto patriótico são de extrema relevância para compreensão de como se constroem os instrumentos de sedimentação dos sujeitos em um Estado, ao Estado, sobretudo para compreensão dos estudos sobre os estados de ânimos sociais, agitações ou controle dessas agitações. Assim, a noção de Pátria serve como tensor que se estende entre o Estado e os sujeitos.

Nota 6 - Tal sentimento de Pátria não é algo inerente aos indivíduos, esta noção delineia-se a partir do processo de socialização, do processo de descoberta do ambiente cultural no qual o individuo encontra-se inserido. Entretanto, não há garantias de que tal sentimento venha a ser vivido com toda fidelidade. Para que tal fidelidade venha se estabelecer todo um processo de (des)construção da imagem de si e, sobretudo da imagem do outro, deve acontecer. O homem da pátria acredita saber diferenciar o justo do injusto, o bem do mal. Ele procura respeitar as instituições e exige que os outros façam o mesmo, ele é um soldado sem farda. Ele se crer fazendo sua parte para manutenção da lei, da ordem e da paz social; ele também se vê como um homem trabalhador e honesto, que oferece a sua força de trabalho para o desenvolvimento e futuro do seu país; acredita na ascensão social, que se fizer sua parte para o bom funcionamento da pátria há de prosperar junto com ela. Daí que o patriota alimenta sua capacidade de julgamento sempre na mesma direção: tudo aquilo que for diferente do seu ponto de vista deve ser condenado; tudo aquilo que não girar em torno das suas convicções é uma oposição que deve ser excomungada; tudo aquilo que for diferente é uma ameaça em potencial à conservação e manutenção da sociedade. Ele identifica aquilo que é a pátria com aquilo que é "bom" para todos, independentemente de quem se trata – a vida é a pátria, homens e mulheres são a pátria, o social é a pátria; e tudo que assim não for dever ser renegado.

Nota 7 - A pátria não é um acontecimento natural. É algo que possui uma temporalidade, que pode ser datada em termos do seu nascimento e morte. Os traços geográficos que a delineia foram rabiscados pelo desenrolar das tramas históricas, na maioria das vezes produto de lutas e mesquinharias. Imagens, falas, sentimentos, expressões de vidas, línguas, corpos, sensações, vegetações, animais, paisagens, foram juntados, costurados, colados na especificidade e particularidade de um momento, a eles se juntaram discursos, sentidos foram criados, passando a afetar uma cosmovisão. A pátria é uma produção, não do seu povo, mas, das relações de poder a ela subjacentes. O povo foi uma de suas capturas. Ele é um de seus reféns. Assim como o é a natureza, as crenças, os valores e todos os produtos culturais nascidos das relações entre os sujeitos.Quem olha do presente para o passado é levado a acreditar que a pátria é fruto de um processo coerente e ordenado, que ela é o produto final e glorioso de sua própria evolução. Somos levados a esquecer que as inúmeras práticas vividas e discursos pronunciados em termos patrióticos assim o foram na dispersão do tempo e do espaço, enfim, o ajuntamento das práticas e dos discursos que dão forma a pátria não são frutos de um acontecimento lógico, controlado, calculado ou previsível. O surgimento da pátria é fruto do silenciamento de uma multiplicidade de vozes, do apagamento de uma multiplicidade de imagens e práticas. Vozes e praticas que foram recortadas em seus múltiplos dizeres e fazeres, que foram selecionadas e moduladas para que, em seguida, fossem reapropriadas para servirem ao propósito “maior”: elementos constituintes de uma pátria-mãe. É por conta disto que devemos questionar sobre como foi e como é possível uma pátria, a que preço ela se tornou e se torna possível.

Nota 8 - A idéia de pátria como algo natural ou desde sempre ai acaba por encobrir o fato de ser ela um produto político e que enquanto tal deve ser compreendida. Apoderando-se de símbolos, de fatos e de expressões a pátria vai reagir e funcionar a partir de uma totalidade maior: o Estado-nação. Movendo-se dentro deste espaço nacional, delimitado por suas fronteiras, descobrimos assim um jogo entre o artificial e o artifício: se o Estado é artificial, a Pátria é um artifício deste. (Pensemos o artificial como sendo um produto de uma época, fruto de circunstâncias de época.)O discurso patriótico é meta-histórico na medida em que faz uso de significações teleológicas que partem de um passado redentor a um futuro promissor. Onde devemos procurar a origem da pátria? No emaranhado dos artifícios que dão forma ao seu discurso. Pátria não possui essência. A identidade que ela faz nascer é artificial, como qualquer identidade, como qualquer processo de identificação. O desmonte da noção de Estado é correlato ao desmonte da noção de Pátria. Questionar o Estado só faz sentido se questionarmos a noção de Pátria.

Nota 9 - Haveria em nós um instinto de idolatria? É provável. Para dar vida aos nossos interesses projetamos sobre a face da terra os nossos sonhos, forjamos o tempo e nele inserimos a história, nossa história ou aquilo que consideramos como nossa história. Nela mesma, toda terra é neutra, suas fronteiras são acidentes geográficos, os contornos que traça não visa determinar estados morais. Mas o homem estabeleceu sobre ela determinações estranhas à natureza e às forças que a anima. Assim, como idolatras, passamos a adorar os objetos ridículos da nossa própria criação. É interessante constatar que entre a ficção e a evidência todo entusiasmo do homem recai sobre a primeira. Se há uma fonte sobre a terra de onde jorra o mal, ela não é outra se não esta capacidade de ficcionar e de levar a ficção às últimas conseqüências, dar às ficções humanas um caráter de absoluto. A pátria se soma a tantas outras ficções que idolatramos e a tantos outros falsos absolutos.Não há noção de pátria que não traga uma dose exagerada de idolatrias, doutrinas e farsas. Todo ato de adoração à pátria é um ato de adoração aos crimes que foram cometidos para que esta aparecesse e se mantivesse. Quem ama uma pátria faz de tudo para que outros também a amem. Não há fervor patriótico sem uma quantidade considerável de intolerância, fé cega, intransigência ou proselitismo.A pátria é uma assassina em potencial. Há na história humana dois motivos pelos quais mais se matou ou se morreu: por um deus ou por uma pátria. Devoção fervorosa e sangue. Gemidos e hinos. Fé religiosa e devoção patriótica se igualam no número de vítimas que fizeram. Os mais violentos crimes foram e são cometidos em nome de uma ortodoxia, religiosa ou política, não importa.Daí o patriota ser um fanático fervoroso. E por ser assim, ele é um perigo. Os melhores e mais eficazes assassinos pode ser encontrados entre os patriotas e fanáticos: morrem e matam em nome de uma crença, de uma ficção.A pátria é um conjunto de signos: honrar uma pátria, fazer guerras por uma pátria. Não perceber que por causa dela a vida deixa criar, que o sangue que ela faz correr, o sangue que ela exige, em nome de "proteção", é o mesmo sangue que poderia está sendo dirigido para uma vida mais cheia de possibilidades.

Nota 10 - A pátria se consagra em um despotismo dos princípios: ela se coloca como sendo e tendo o ideal correto a ser seguindo; ela consagrou o futuro como um alojamento de bem-aventuranças para aqueles que a legitimam; ela faz parecer que a segurança reside por detrás de seus muros. A pátria se quer no plural: ‘Nós’. E nesse ‘Nós’ ecoa uma forma de fascismo. Dentro dela as instituições visam gerenciar a boa conduta, o porte correto, a regulamentação das opções. Ela quer ser percebida como o paraíso, ela concorre com o paraíso celestial. Artesã de espíritos ardentes, não perdoa aqueles que vivem sem as suas verdades. Um sujeito desprovido da crença patriótica é um ser estranho à pátria. Ela demanda certezas, impõe convicções, elimina as dúvidas e os duvidosos.As convicções patrióticas se estabelecem como forças dominadoras - debaixo de sua bandeira se esconde uma arma.

MAIÊUTICO - poema de jb vidal

avejão helênico devasso a Hélade anosa,
perscruto Héstia, atenso para copular cioso,

tempestades de parêmias assolam a fleuma,
desértico, acuo na abóbada célica

incidências de ardis no Templo,
inerme ausência de Eros,


zeugmas pairam sobre pélagos,
imanes ofídios balétam virtuosos,

deuteragonista no drama litúrgico,
postergado por Zeus, exsolvido no Olimpo,



Zeus! Ares! Eros! onde estais? por que a indiferença?
novos Titãs fazem guerras de outra essência,
átomos divisos, gases letais descem dos céus!
Hélade existe, também morrem os seus!
amada Héstia, socorra-me com tuas virgens,
permita, por um instante, ser um deus!



retorno exaurido desta viagem reminiscente,
deixei-me levar como se de fato fosse,
ilusão de não estar onde estou e não me sinto,
morre em mim tudo que sonho, nada fica pra depois,
sentidos, pensamentos, escorrem pelas carnes,
resta o tédio, a vontade de não-ser e abandonar-me

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A FARSA das FEMINISTAS - por paula lameu

Desde que o mundo é mundo a "supremacia masculina" está estabelecida. A partir daí as mulheres tinham duas escolhas: aceitar a condição imposta ou lutar para mudar essa situação. O direito de votar e de trabalhar são duas de muitas conquistas, entretanto essas conquistas variam conforme a cultura, região, contexto histórico e religião da sociedade.As mulheres brasileiras desfrutam de uma posição de prestígio em relação àquelas de países como a Arábia Saudita, Paquistão e China, sem contar com países africanos.No Brasil, a mulher é valorizada por conciliar trabalho, filhos, marido e casa. Destacam-se nas empresas por possuírem a capacidade de enxergar diversos problemas, em determinada situação; possíveis soluções e as consequências que acarretariam cada decisão tomada.O que significam realmente essas "conquistas" femininas? Todas as mulheres que lutaram, o fizeram contra que, ou quem? Com que objetivo?As mulheres que lutavam por direitos iguais não queriam o reconhecimento da condição de mulher, mas o de se assemelhar ao homem.Sabe aquela velha história "mulher no volante, perigo constante", pois esse é o melhor exemplo a ser dado. Uma mulher só conseguiria dirigir direito se dirigisse como um homem, ou seja, nunca, uma mulher por si dirigirá direito, a menos que troque de posição social e passe a agir como homem.A relação de diferenciação homem/mulher é explicada por Stuart Hall, em , afirmando que algo só pode ser estabelecido mediante a diferenciação pelo outro. A mulher só se reconhece como tal por indentificar o homem como diferente dela. Não existe um meio-termo, o que há é a troca de pólo, ou seja, a mulher para dirigir bem, muda para o pólo masculino, não há troca de condição de que a mulher é quem dirige bem.Toda relação de diferenciação se dá pelo binarismo - dois pólos opostos - e é cercada por relações de poder, onde um pólo é dominante e o outro é dominado, um certo e o outro errado. O que exerce a função de dominante não abrirá mão de sua condição, assim a mulher sempre estará fadada a posição de má motorista. A luta das feministas sempre foram os direitos iguais para as mulheres que, na verdade é a tentativa de reconhecimento da ocupação da posição do pólo oposto, o masculino. Não houve nenhuma ruptura significativa em qualquer sociedade ou época.As mulheres precisam refletir e determinar seu real objetivo se é mesmo parecer cada vez mais com os homens ou proporcionar alguma ruptura nos padrões da sociedade. O clichê é válido como conclusão: “É assim que se faz um país mais justo”

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

POEMA - de otilia martel - Porto/Portugal

Sonho-te
Que sonhando-me
Sonhas-me,
Em teus braços,
Mil beijos
Sussurrados


Sonho-te
E sonhando-me
Amo-te
No rasgar da pele
Buscando carícias longas
Entregando-me


Sonho-te
No abraço incontido
Corpo entregue
Vencido
Em noites de vendaval


E esse perfume errante
- seiva quente -
dá vida dá alento
Mesmo que não passando
De ilusão,
Que se desfaz em nada,
Tal qual nuvem
Em tarde de Verão.


Sonho-te
Que sonhando-me
Sonhas-me…
Amando-te…

POEMA de ANTONIN ARTAUD - 1896/1948*

"Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.
Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.


Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre
morto.

Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto

Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.

Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.

Este Artaud, mas, por falta do que fazer...

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.

*env. por marco macedo.

POEMAS MAL_DITOS - de julio almada*

Um poeta em seu reino dos céus
Tem sempre esse inferno particular:
Se cortando na sutileza dos véus
Olha no olho do que há para revelar

Vê claro o que claramente oculto
É o mais escondido dos tesouros.
logo o acusam de estar em surto
ao dançar com a alma dos touros.

Chega de promessas do paraíso
repleto de prazeres artificiais.
Escrevo uma dor ácida e aviso:
sou o menos morto dos mortais!

Vestido com a ousadia nua:
Como flor de lótus nos funerais.
Quero a tinta que a beleza sua
E deitar vivo, aonde a vida jaz.


* poema do livro POEMAS MAL_DITOS.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

CONSTATAÇÕES - de josé zokner

Constatação I [Do tempo que os animais recitavam que nem gente.
Hoje, corvos (re)cocitram; (re)corvejam].
“Deixe de preguiça
E guarde esse baralho”,
Disse a corva pro corvo.
“Não seja um estorvo,
Não me dê trabalho.
Eu quero pôr a mesa.
Preparei uma carniça,
A óleo e alho,
Digna da realeza”.
Constatação II (Decepção familiar).
Reuni todo o meu pessoal
Pra ler meu parco testamento
A decepção foi de modo tal
Que até deu neles um abatimento.
Constatação III
Deu na mídia: “Distrito Federal tem pior distribuição de renda do País. Segundo vários pesquisadores, a principal causa da má distribuição da renda no Distrito Federal e entorno é o contraste entre a elite do funcionalismo público em Brasília e o grande número de pobres e miseráveis nas cidades satélites”. Os pesquisadores esqueceram, o que é imperdoável, de agregar ao seu trabalho, viva “nóis”...
Constatação IV
Também deu na mídia: “Nova Yorque fecha restaurante com sobremesa de US$ 25 mil. Fiscalização encontrou ratos, moscas e baratas no Serendipity 3”. Não ficou esclarecido se foram por razões do que foi encontrado que a sobremesa atingia aquele elevado valor. Quem souber, por favor, cartas à redação. Obrigado.
Constatação V
Um deputado defendeu o aumento do salário do Congresso, em quase 100%, justificando que evitaria que eles, os congressistas, pudessem cair em tentação de se corromper. Rumorejando desconhece se o pai da pátria encaminhou projeto no sentido de se pagar condignamente à polícia e/ou os professores, por exemplo, pela mesma razão. Quem tiver alguma informação a respeito, por favor, cartas à redação. Obrigado.
Constatação VI
Ainda na mídia: “Um estudo publicado na revista especializada Journal of Experimental Social Psychology sugere que os homens mudam de comportamento e "emburrecem" para se adequar ao estereótipo da "loira burra". E Rumorejando pensava – maldosamente, diga-se de passagem – que era contagioso...
Constatação VII (Via pseudo-haicai).
“Não sinto amarguras”,
Vibra o masoquista,
“Com mil e uma agruras”.
Constatação VIII (Dúvida crucial do Amigo Renato Emilio Coimbra).
JOGADOR DE FUTEBOL:Até quando (quosque tandem)Cuidarás mais de tuas pernasE menos de teus cabelos?
Constatação IX
Os salários dos pais da pátria estão cada vez mais atrativos. Isso, sem falar das oportunidades de negócios... Afinal, Aquila non capit muscas - A águia não apanha moscas. (Tá certo o latim, professor Figurelli?)
Constatação X (De dúvidas cruciais).
Deu na mídia: “Cientistas criam kit para detectar comida estragada”. Mutatis mutandis, mudando o que se deve mudar (Ainda recorrendo ao professor Figurelli se está correto o latim): Será que não se poderia criar um kit para detectar se um candidato a quaisquer cargos tem um passado ilibado, tendo em vista que o presidente da República, também por essa razão, teve dificuldade em formar o seu – dele – ministério? E o que tem deputado eleito nessa última eleição com processos é impressionante. Aliás, por que numa certa época se exigia que o cidadão apresentasse Atestado de Bons Antecedentes, obtido nos meios policiais, e, hoje em dia, não se exige mais? Quem souber a resposta, por favor, cartas à redação.
Obrigado.

PROGRAMA do JÔ investigado pelo MPF


O Programa do Jô, exibido depois do Jornal da Globo pela TV Globo, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro por suposta manifestação de preconceito. A informação foi divulgada pelo MPF nesta segunda-feira(26). O programa do dia 18 de junho deste ano exibiu uma entrevista com o escritor Rui Moraes e Castro sobre a mutilação genital a que são submetidas mulheres angolanas. Após a entrevista, a campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania" – projeto que visa melhorar a qualidade da programação da TV brasileira - recebeu inúmeras denúncias de organizações sociais feministas e ligadas a comunidades negras. As denúncias recebidas acusavam o entrevistado e o entrevistador de manifestação de preconceito racial, especialmente em forma de ironia. Durante o programa, o entrevistado buscou relacionar o penteado das mulheres negras de Angola com as suas vaginas. As denúncias também acusam o programa de fazer alusão à pedofilia.A procuradora dos direitos do cidadão do MPF do Rio de Janeiro, Márcia Morgado, é a responsável por averiguar se realmente houve desrespeito às comunidades negras. O caso está sendo investigado.
Radioagência , Vinicius Mansur.